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Não é só o estilo de roupa ou o linguajar do estudante Gecivaldo que lembram os garotos da periferia. Ele faz parte dela e tem muito orgulho de dizer que mora na Ceilândia, cidade satélite do DF. O rapaz que tem 22 anos é filho de uma dona de casa e seu pai é trabalhador rural. 

As circunstâncias apontavam para um futuro não muito diferente daqueles amigos que Gê – como é conhecido – perdeu ao longo da vida. “Muitos já morreram. Infelizmente a realidade de quem nasce sem oportunidades não é aceita por todos. Para muitos, a melhor e mais rápida maneira de ganhar dinheiro é o crime, e esse sem dúvida, é o caminho mais perigoso” afirma.

Gecivaldo decidiu aos 11 anos que seria jogador de futebol, porém o plano não seguiu. “Não dava para ganhar a vida jogando bola. Se fosse investir no sonho, não poderíamos pagar nossas contas”, confessa dona Eneide, mãe do rapaz. Ele se declara polivalente, diz já ter trabalhado de camelô, panfleteiro, garçom, Office-boy e atualmente é recepcionista no Hospital da Unimed que fica na Asa Sul.

Sua rotina é dividida entre os plantões no hospital, a faculdade de jornalismo e o namoro de um ano e meio. Apesar da vida corrida, Gecivaldo não desistiu dos jogos do esporte que é paixão nacional. O plano é começar como comentarista dos jogos estaduais e assim por diante. “Sei que vou chegar lá, tenho fé e força de vontade” diz.

Dessa forma, o estudante se dedicou, estudou dias e noites e conseguiu entrar em uma das melhores faculdades de comunicação de Brasília, o Instituto de Ensino Superior de Brasília – Iesb. Bolsista, passou no Exame Nacional do Ensino Médio – Enem e garantiu sua vaga. O esforço e dedicação valeram à pena. “A cada dia tenho mais certeza que nasci para a profissão, quero participar e poder transmitir os fatos importantes da história do nosso país e do mundo”, decreta o futuro jornalista.

Enquanto seus planos vão caminhando para realidade, Gecivaldo aproveita o tempo vago para estudar, namorar, ler e jogar futebol com os amigos. Diz que gosta de MPB, especialmente curte uma roda de samba. Otimista por natureza, como se auto-define, Gê afirma que vai mudar a realidade da sua família e deseja que, de alguma forma, possa ser exemplo para os adolescentes de sua cidade. Isso, não só para os adolescentes da Ceilândia, mas para todos nós, ele já é.

*Exercício realizado em aula (oficina de redação). A proposta era de redigir reportagem perfil, em que o principal objetivo é enfocar o entrevistado.

Lobo faz criança de refém

O animal feroz se disfarçou na intenção de devorar a menina

Chapeuzinho vermelho é feita de refém na casa de sua avó, que fica na segunda Rua do Bosque. Hoje á tarde a criança foi surpreendida pelo Lobo ao entrar na residência. A Vovozinha foi devorada pelo animal, que se disfarçou com as roupas da idosa para avançar contra a neta. Ao perceber que estava em situação de ameça, Chapeuzinho gritou.

A menina tem o hábito de visitar, e levar doces todos os dias para senhora que mora sozinha, depois de ter ficado viúva. Moradores afirmam que não perceberam nada até ouvirem os gritos. Os vizinhos avisaram a polícia, que chegou ao local em alguns minutos. Assim que percebeu a aproximação dos carros, o lobo fez a garotinha de refém. Até o momento, policiais tentam negociar com o meliante a soltura da criança.

 

 

*Exercício realizado em aula (oficina de redação). A proposta era de redigir nota jornalística, tendo como tema uma história infantil.

A ONG é um exemplo de cuidado e amor com crianças portadoras do HIV

Por Gecivaldo Santos, Luciane Paz e Raiane Azevedo

Vicky Tavares era estilista, viajou para vários países, foi a primeira empresária a trabalhar exclusivamente com couro em Brasília-DF e nas horas vagas, juntamente com suas amigas comerciantes da quadra 205 da Asa Sul onde possuia uma loja com seu nome, ajudava moradores de rua distribuindo sopão, cestas básicas e roupas. Além disso, também foi voluntária em um abrigo para mulheres vítimas da violência.

Foto: Luciane Paz

Vicky também colaborava em uma ONG para portadores do HIV, quando o presidente resolveu fechar a instituição por dificuldades finaceiras, preocupada com o futuro das crianças, a maioria orfã, a senhora de 60 anos reconheceu sua principal missão: ajudar ao próximo. No princípio o que era somente mais um voluntariado tornou-se prioridade em sua vida, e em fevereiro de 2007 fundou o Instituto Vicky Tavares – Vida Positiva, em Taguatinga Norte, e o mundo da moda se tornou hobby.

O abrigo atende 21 crianças, entre quatro e 17 anos, que vivem com HIV e convivem com a AIDS.Todas encaminhadas pela Vara de Infância e da Juventude do DF, o juiz detém a guarda provisória e as transfere, passando a tutela para presidente da ONG, além disso, há também as crianças que ficam em regime de creche, ou seja, de segunda á sexta-feira, de 8h às 18h, enquanto seus pais ou responsáveis trabalham.

Rotina da Casa

Exceto a rotina de medicamentos anti-retrovirais tomados de quatro a sete vezes ao dia, seguindo rigorosamente os horários estabelecidos pelos médicos, e os efeitos colaterais causados por eles, elas mantêm uma agenda como a de qualquer outra criança. Todas estão matriculadas e freqüentam a rede de ensino, praticam esportes, assistem TV, jogam vídeo game, vão ao cinema, teatro, escolinha de futebol, igreja e passeios semanais. além de seguir uma dieta balanceada prescrita por nutricionistas voluntários, com frutas, verduras e alimentos ricos em proteínas.

Doadores e doações

Todas as despesas das crianças, como vestuário, material escolar e atividades para o lazer são custeadas pelo Instituto, que conta com o apoio financeiro de voluntários. “Algumas crianças passam os fins de semana com os pais e para garantirmos que a dieta e os cuidados com eles permaneçam fora do abrigo, a família também recebe apoio como cestas básicas, gás e etc. Devido à dose alta dos medicamentos, algumas têm colesterol alto, diabetes. E a gente não pode descuidar, né?”, explica Dona Vicky, como é chamada pelos funcionários e visitantes.

Algumas doações são fixas como o aluguel que desde a fundação do instituto é paga pelo mesmo doador, além da padaria que fornece pão quentinho, a van que leva os menores para a escola e etc. Os doadores, em sua maioria conhecem a ONG através de notícias e amigos, fazem a visita e passam a contribuir com o que podem. “Vivemos de contar moedinhas, o que é pouco para muitos, é importante para nós”, diz a presidente da ONG.

Há  também os padrinhos sociais que são voluntários freqüentes do Vida Positiva, e acabam tendo uma afinidade maior com alguma criança. Esse passa a apadrinhá-la com roupas, calçados, materiais escolares e alguns custeam até festas de aniversário e depois de um acompanhamento rigoroso, em alguns casos a criança pode passear com o padrinho.

“Me apaixonei pela Vitória* assim que a vi, nossa sintonia foi tão grande que a considero mais do que uma afilhada, tenho como filha mesmo. Aliás, ela pode não ser de sangue, mas nasceu aqui”, declara Patrícia Pimenta, cozinheira, apontando para o coração.

A relação das crianças com os familiares

“Infelizmente, a relação da maioria é distante, quase inexistente. Grande parte delas é órfã, pois os pais já faleceram em decorrência do AIDS, outros são filhos de pais moradores de rua, usuários de drogas que somem, abandonando esses meninos e meninas tão carentes”, afirma Dayse Carvalho, coordenadora da ONG desde sua fundação em 2007.

“Alguns pais não aceitam a doença e por não se cuidarem também não tem a responsabilidade de dar a medicação corretamente para os filhos, isso implica na saúde deles. Ás vezes quando voltam, estão doentes, mais magros.”, diz a coordenadora.

O caso dos órfãos ainda é mais complexo, pois além de ter que conviver com a morte dos pais, a doença e o preconceito, eles são abandonados pelas famílias que não tem informação suficiente sobre o vírus e por preconceito renegam os pequenos afirmando não ter condições financeiras para cuidar deles.

Um trabalho exercido com cuidado, amor e responsabilidade

A relação entre funcionários e crianças é de pais e filhos, o que era pra ser somente um emprego se torna algo maior, uma relação familiar onde se aprende todos os dias que cuidar e amar ao próximo são valores que precisam ser exercidos diariamente.

“Competência e aperfeiçoamento contínuo também fazem parte da cartilha dos funcionários para desempenhar suas funções impecavelmente na ONG. Qualquer erro nas dosagens ou no horário em que as medicações devem ser tomadas pode causar danos irreversíveis na saúde deles. Cuidamos para que não aconteça treinando cada funcionário de acordo com sua função.”, afirma Dayse, coordenadora e responsável pelo treinamento dos colaboradores.

A sintonia entre eles é tanta que as cuidadoras são chamadas de mãe por alguns pequenos, além da presidente chamada carinhosamente por “Vó Vicky”. Nas datas comemorativas de fim de ano, as crianças que não tem contato com a família comemoram na casa dos funcionários.

“As pessoas entram para trabalhar e se apaixonam pelos pequenos. Quando cheguei aqui não sabia que me envolveria tão profundamente com meu trabalho. Hoje em dia eu me preocupo com eles até quando estou de folga.”, comenta a motorista da casa, Juliana Feitosa.

Um olhar para o futuro

 

Foto: Gecivaldo Santos

Não é só abrigar crianças portadoras do HIV e que convivem com a AIDS, o objetivo do Instituto Vicky Tavares – Vida positiva. Incluí-los socialmente, esclarecer sobre o vírus e acabar com preconceito, faz parte do plano. Um exemplo de inclusão social são os cursos profissionalizantes de línguas e digitação que os mais velhos fazem e já existem projetos para cursos profissionalizantes e estágios.

“Infelizmente o preconceito ainda existe e é grande, falta maior participação do governo para esclarecer as formas de contaminação e demais informações sobre a doença. Já tivemos casos de professores que agiram de maneira preconceituosa com nossas crianças, isso mostra a falta de preparo e esclarecimento até mesmo de quem deveria ensinar a combater esse tipo de atitude. Um dos nossos maiores desafios é fazer com essas crianças sejam parte da sociedade. Lutamos para que sejam vistas como pessoas e não somente uma estatística.” finalizou.

* Nome fictício para preservar a identidade da criança.
 
 Para doar:
Caixa Econômica
Agência: 1041
Operação: 003 |
Conta Corrente: 385-0
 

 

De acordo com o capítulo I, artigo 2, parágrafo II do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, “a produção e a divulgação da informação deve ser pautada pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público”. Baseando-se nisso, o jornalista deve fazer suas reportagens.
A conduta eticamente correta é a esperada quanto ao jornalista. Respeitando fontes, direitos autorais e, além disso, o direito do leitor de ter acesso aos fatos como realmente ocorreram. Postura íntegra, competência, respeito à população são princípios básicos que continuamente precisam ser lembrados e executados.
Alguns jornalistas não seguem as regras à risca. Profissionais que exercem a atividade de natureza pública desviam-se do foco, tornando suas matérias sensacionalistas, tendenciosas ou mesmo, inventado-as.
Temos com exemplo o caso de Stephen Glass*, jovem redator do tradicional periódico americano “New Republic”. Trata-se de um jornalista que inventava “furos de reportagem”. Ao ser checado o tal furo, verificou-se que não passava de história inventada. Glass foi descoberto, perdeu o direito de exercer a profissão e teve sua história exposta num filme.
Ora, se a base fundamental de ser jornalista é a prestação de informações e o compromisso com a sociedade, o que leva-o a esse tipo de prática? O reconhecimento de publicar algo não noticiado. Resultando, geralmente na conhecida imprensa marron.
O único respaldo para exceções é quando o interesse público, que está em primeiro lugar, de alguma maneira, torna-se ameaçado, podendo não se concretizar por jogos de interesses políticos, econômicos ou sociais.
Outro parágrafo do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, Cap. III, artigo 11º, parágrafo III diz: “(…) Salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração”.
Caso sua matéria não se encaixe nos parâmetros, cheque as fontes, apure os fatos, consulte todos os envolvidos, não use sua condição para obter vantagens e principalmente, tenha compromisso com leitor, a profissão que exerce e a verdade. Fazendo isso, seguindo essas regras, recomece, faça toda a apuração novamente e finalmente publique a matéria.

* http://raianeazevedo.wordpress.com/2009/06/25/o-preco-de-uma-verdade-2/

A segunda edição do título “A jornada do escritor” escrito por Christopher Vogler (Ed. Nova Fronteira, 2006, 446 pag., R$32,50) é traduzida pela jornalista e escritora Ana Maria machado. Baseando-se no clássico “O Herói de mil faces” de Joseph Campbell, Vogler redigiu um memorando e o enviou para os roteiristas da Walt Disney, que mais tarde se transformou no livro.
Com linguagem leve e didática, o livro apresenta a proposta de como escrever uma história, construir personagens e situações, usando exemplos de filmes que a maioria dos leitores já assistiu. A familiarização com os exemplos dos enredos como a provação, o mentor e o guardião do limiar, abrem nossa visão da composição que sustenta essas histórias e dá-nos base para avaliá-las com maior percepção.
O livro é dividido em três etapas. Na primeira, Vogler escreve os personagens e sua personalidade, essenciais em qualquer tipo de roteiro. A segunda etapa sugere aprendizados ou situações para que a narração tenha um bom desenrolar até o final. E, finalmente, o desfecho, a síntese da jornada.
Um tanto recorrente, “A jornada do escritor” comprova que há um padrão para os roteiros hollywoodianos. É comum o herói lutando pela humanidade, tentando salvar o planeta da destruição, conquistar a garota que ama, e os mais complexos buscando vencer seus conflitos pessoais.
Além disso, há também o arauto ou mensageiro, mentores, guardiões, mocinhas indefesas presas por vilões, a caverna ou floresta onde está o perigo. Os moldes, ápices e derrotas também nos parecem familiares depois de fazermos a leitura desse livro.
Mas, em nenhum momento, Vogler afirma ser obrigatório seguir esses passos, mas que é necessário um esqueleto para elaborar o roteiro. O autor nos encoraja a não nos enquadrarmos completamente nesse molde, mas criarmos novos caminhos. Desbravarmos possibilidades em nossa jornada da escrita. Não nos privarmos da imaginação. E sermos audaciosos na maneira de contar histórias, surpreendendo o leitor no desfecho.
Não restam dúvidas que ao lermos “A jornada do escritor”, além de conseguirmos observar com mais atenção os filmes e vídeos que assistimos. Também nos identificamos com a jornada do herói. Conscientemente ou não, do mesmo modo, abrimos mão do nosso “mundo familiar” em busca do desconhecido. Ilusões ou vitórias nos guiam nessa caminhada. Durante a busca, muitas vezes também desejamos desistir da jornada.
Ao longo do caminho, encontramos monstros diversos, enfrentamos nossas limitações, nossa coragem é colocada à prova para, enfim, depois de combatermos o medo e as dificuldades, nos tornarmos merecedores do tesouro que procuramos. O nosso herói interior deseja essa aventura. Almeja desafios. Ainda que, assim como o jovem inexperiente dos mitos, não saiba direito o que a aventura de fato representa. Até dar o primeiro passo.
Recomendável para admiradores e estudantes da sétima arte.

Ética no jornalismo

Quando o profissional da área de comunicação mente para obter tos, não está seguindo a ética. Mas, buscando noticiar de qualquer maneira. Aquele que adota essa conduta não tem profissionalismo.
Vários jornalistas subornam fontes e as ludibriam para conseguir uma boa matéria, se envolvem em situações perigosas, mentem, enganam, e o que deveria ser feito de forma responsável e honesta, se torna – em alguns casos –, notícia inventada, apelativa.
Todo jornalista é também contador de histórias. Na verdade, contam, noticiam fatos, histórias verdadeiras. É o que se espera deles. No mínimo, a verdade, acima de qualquer suspeita, o profissional deve ser ético.
Publicar matérias, sabendo que com isso, alguém será prejudicado é bastante delicado, pois traz conseqüências imprevisíveis. Porém, em alguns casos, penso que seja “necessário”, de certa forma, abrir mão de alguns princípios por um bem maior. Temos como exemplo disso o jornalista que, depois de obter informações dadas pelo senador Antônio Carlos Magalhães (ACM), mesmo tendo prometido não publicar o nome da fonte, não cumpriu a promessa. Percebo que, nessa situação, o profissional, correndo o risco de perder vários informantes e ser tachado com irresponsável, agiu de forma correta publicando informações que eram de interesse público.
Entretanto, se lançar a matéria no jornal, prejudicando terceiros, por motivos fúteis, como buscar reconhecimento da profissão, fazer intrigas depreciar pessoas ou, ainda, noticiar inverdades, não há dúvida de que trata de algo que foge à regra do que é realmente importante para a população.
Sabe-se que a realidade nos bastidores da notícia é diferente. Para alguns não existem limites. Informações são distorcidas e histórias inventadas para alcançar o objetivo de “fazer parte da história”, tornar público algo que não foi noticiado. Muitos casos ficam impunes, outros não.
Acredito numa postura íntegra, a importância do jornalista é imensurável. O seu papel é registrar e transmitir a história de um país. Seja política, cultural, de entretenimento, policial, investigativa, a notícia precisa ser contada como aconteceu verdadeiramente.

O preço de uma verdade*

Poster do filme Shattered glass

Poster do filme Shattered glass

Baseado em fatos reais, o filme “Shattered glass” dirigido por Billy Ray em 2003, conta a história do jornalista Stephen Glass, que fazia parte do conceituado jornal americano The New Republic. No entanto, vários dos seus textos eram inventados ou copiados.
Um dia sua farsa foi descoberta. O jovem jornalista publicou um artigo que falava sobre hackers, especificamente sobre um garoto de 15 anos que invadiu o sistema de computadores da empresa milionária Jukt Micronics, espalhando vírus e fotos obscenas. Entretanto, ao invés de denunciá-lo, os donos decidiriam ceder aos caprichos do menino e contratá-lo como consultor. O grande erro de Stephen foi detalhar demais os fatos. Pois foi a partir disso que jornalistas da Forbes Digital contestaram a veracidade de suas publicações.
Glass, desmascarado por seus colegas de profissão e seu editor-chefe, se desesperou e tentou de várias formas convencê-los da realidade da matéria publicada. Ele provavelmente não imaginou que seria pego, já estava tão envolvido em suas mentiras que não conseguia viver num mundo real. O seu universo paralelo e criativo lhe parecia mais interessante, e Stephen compartilhou esse universo, mas se esqueceu que jornalistas devem levar sempre a verdade aos seus leitores. Perdeu-se no conforto que criou, mentindo. Poderia ter ganhado um Pulitzer, ele era talentoso. O que ele não se lembrou é que mesmo sendo bem escritas, mentiras, são sempre mentiras.
O título faz trocadilho com o nome do personagem principal, algo como vidro quebrado, despedaçado. O trailer aborda vários temas: ética na profissão, companheirismo, criatividade, rotina dos jornalistas, solidão, verdades e mentiras.

*Título do filme em português

by Photographer, Henry Cartier Bresson

by Photographer, Henry Cartier Bresson

Choveu a noite. E, pelo que parecia, choveria o dia todo. As pessoas, em sua correria habitual, estavam submersas em seu mundo particular. Ele olhava tudo ao redor, observava todos os detalhes que constituíam o cenário, tão familiar. “Na certa, muitos não reparam mais nesses becos esquinas, nem nelas mesmas” comentou consigo.
Paris. Rua cinza, céu cinza, dia chuvoso, roupas adequadas, pessoas correndo, trânsito parado. O fotógrafo observou por algum tempo, tinha um trabalho a fazer: precisa de fotografias que capturassem o dia a dia os moradores de Seine-et-Marne.
Um homem apressado passava por ele, uma boa chance para um retrato espontâneo.Com a câmera em punho, ângulo certo, luz ideal e click! Perfeito!
Dias depois, vernissage movimentada, comentários positivos, alguém lhe falou em tom de questionamento sobre a foto: “Qual seria o motivo de tanta pressa?” Ao que ele respondeu: “Não faço idéia, mas tenho várias teorias a respeito. Talvez estivesse atrasado para o trabalho ou corria para alcançar alguém que nunca mais veria. Provavelmente nunca saberemos. A razão de tê-lo fotografado foi exatamente essa, usar a imaginação, refletir sobre o nosso cotidiano, pensar nas possibilidades”.

Orson Welles

Em 1938, Orson Welles e a companhia de teatro Mercury inovaram ao representar o livro “Guerra dos mundos” pelas ondas da rádio CBS, levando mais de um milhão de pessoas ao desespero coletivo.
A questão é: Qual o limite para o entretenimento? E qual é a responsabilidade dos que praticam tal ousadia diante de consequências inesperadas?
Qualquer um que se atentasse aos detalhes certamente se conveceria que não passava de uma brincadeira de hallowen, como o próprio Welles afirmou no afirmou no final da transmissão.
Misturando criativamente realidade e ficção para fazer os ouvintos participarem de forma ativa da história representada e assim viver a fantasia extasiada de uma invasão marciana, Welles, utilizou vários artifícios que contribuíram para tal feito: interrupção transmissão para que boletins sobre a invasão fossem divulgados, entrevistas estratégicas, efeitos sonoros bem elaborados, além da pressão dos rumores da 2ª Guerra Mundial.
O caso Welles é lembrado como a primeira vez em que os limites da ficção e realidade foram testados e colocou como pauta a questão da ética jornalística e entrenimento de massa.
Há grande parte da indústria da comunicação que ousa, cada vez mais, para dar veracidade às notícias noticiadas – algumas representadas como numa novela, para convencer o público que merecem credibilidade. Todos os dias são divulgadas informações e, muitas vezes, nem todas as partes são consultadas sobre a realidade dos fatos. O que de forma alguma é eticamente correto.
Os profissionais da comunicação devem ser responsabilizados por aquilo que divulgam, seja verdadeira ou “cientificamente” falando. Não se pode simplesmente lançar a notícia num meio de comunicação e não mostrar para as pessoas o que é real e o que não é. Há diferença entre apresentar uma novela ou peça ou ainda em noticiar um caso de xenofobia mal explicado.
Entretanto, faço uma pergunta que acredito caber nessa questão: Se há notícia/nota que mistura e realidade provavelmente é por haver público para tal, não?

Photo: Orson Welles and the cast of Mercury Theater on the Air performing the War of The Worlds broadcast in 1938.

Photo: Orson Welles and the cast of Mercury Theater on the Air performing the War of The Worlds broadcast in 1938.

As garotas do 336

Toda manhã é a mesma coisa: ônibus lotado, pessoas ainda acordando, algumas mal-humoradas, outras tentando levar na esportiva, do jeito que dá. E elas sempre estão lá, as garotas do 336 – linha de ônibus do Setor PSul, bairro da Ceilândia, Cidade satélite de Brasília.
O apelido foi uma invenção minha, num momento de descontração, disfarçando a raiva que me causam por falarem tanto, logo de manhã, dentro do coletivo. De alguma forma, buscando o lado bom e engraçado da situação.
São os mais diversos assuntos, namorados, festas, forró, e a beleza estonteante do bendito motorista. Sinceramente, não sei o que é mais intrigante: A quantidade de bobagens que conversam, ou a beleza oculta que só elas vêem no tal “motora”, como se referem ao condutor. Ainda estou tentando adivinhar…
Cheguei a imaginar que fosse implicância minha, sou chata, isso é fato. Pensei que podia relevar, rir, achar graça. Não deu. Vai além das minhas limitações. Juro que me esforcei. Confesso também que cogitei ser teoria conspiratória, um protesto contra a minha rabugice matinal.
As meninas do 336 são de uma alegria enjoativa, sempre gargalhantes (Inventei essa palavra para caracterizá-las. Será que devo patentear?), com várias notícias quentes para relatar no “busão”, elas querem curtir, elas são descoladas, elas dançam muito… Mas por que logo no meu ônibus? No meu horário? Eu só queria tirar um cochilo!